O que é a Leishmaniose Canina?
Trata-se de uma doença parasitária grave do cão, causada por um protozoário (parasita microscópico), denominado Leishmania, transmitido por um flebótomo – insecto relativamente parecido com um mosquito, mas mais pequeno. A Leishmaniose é uma zoonose, ou seja, pode transmitir-se ao Homem. Em Portugal, a transmissão ao Homem é rara e considerada acidental.

 

 

Quais são os sinais clínicos mais comuns?
O primeiro sinal clínico mais habitual é a perda de pêlo, sobretudo em redor dos olhos, nariz, boca e orelhas. À medida que a doença progride, o cão perde peso. É habitual o desenvolvimento de uma dermatite ulcerativa que se pode dissemniar por toda a superfície corporal do cão. São também habituais feridas da pele, na cabeça e membros, principalmente nas áreas que contactam com o chão quando o cão está sentado ou deitado. Numa fase mais avançada, começam a observar-se sinais relacionados com a insuficiência renal crónica, que entretanto se desenvolve.

 

 

Onde é que ocorre a leishmaniose canina no mundo?
A leishmaniose canina ocorre principalmente na América Latina e nos países mediterrâneos incluindo Portugal, Espanha, França, Itália, Malta, Grécia, Turquia, Israel, Egipto, Líbia, Tunísia, Argélia e Marrocos.

 


Onde é que ocorre a leishmaniose canina em Portugal?
Grande parte de Portugal Continental é endémico, ou seja, a doença prevalece com índices significativos. As regiões mais importantes são Trás-os-Montes e Alto Douro, grande parte das Beiras, Ribatejo e Alentejo, a região metropolitana de Lisboa, a Península de Setúbal e o Algarve.

 


Qual é a época de risco?
A época de maior risco de infecção está directamente relacionada com a época do insecto transmissor – o flebótomo. A época dos flebótomos começa com o início do calor, normalmente em Maio e estende-se até Setembro. Em anos mais quentes pode iniciar-se em Março e terminar em Novembro. Durante o Inverno, os flebótomos permanecem no estado larvar.

 

O meu cão pode morrer de leishmaniose?
A leishmaniose canina é uma doença que causa invariavelmente a morte aos cães que desenvolvem a doença e que não são tratados e vigiados.

 

Qual é o risco do meu cão se infectar com a doença?
Se o seu cão não receber qualquer protecção o risco pode ultrapassar aos 20%. Este é a percentagem de cães infectados nas regiões mais problemáticas. O risco é maior se o seu cão permanecer em regiões onde a prevalência é elevada, onde as condições climáticas são mais favoráveis (temperatura, humidade, etc.) ou se permanecer fora de casa desde o entardecer até ao amanhecer.

 

Qual é o ciclo de vida do parasita?
No cão, a Leishmania vive no interior de um tipo especial de células de defesa – os macrófagos, que se encontram nos vários tecidos do organismo.
Quando um flebótomo fêmea pica um cão infectado, recebe as leishmanias através do sangue ingerido. Dentro do estômago do insecto, os parasitas multiplicam-se. Quando o flebótomo fêmea volta a picar num cão, inocula as leishmanias no novo hospedeiro. Os flebótomos picam os cães preferencialmente na cabeça (nariz e orelhas). As leishmanias infectam os macrófagos do cão e iniciam o processo de multiplicação, permitindo o desenvolvimento da doença, caso o cão não desenvolva atempadamente uma resposta imunitária neutralizante.

 

Como se transmite a leishmaniose?
A Leishmaniose transmite-se através do insecto chamado flebótomo, de reduzidas dimensões.

 


Todos os flebótomos transmitem a leishmaniose?
Em Portugal encontram-se várias espécies do Género Phlebotomus. A espécie mais importante e eficaz na transmissão da Leishmaniose é o Phlebotomus perniciosus. Somente as fêmeas destes insectos transmitem a leishmaniose.

 


Por que é que só os flebótomos fêmeas transmitem a leishmaniose?
Ambos os sexos se alimentam do néctar das plantas, mas somente as fêmeas se alimentam do sangue dos mamíferos. A fêmea necessita do sangue para a postura dos ovos. Passada cerca de uma semana da alimentação de sangue, a fêmea põe aproximadamente 100 ovos no solo ou locais húmidos e ricos em matéria orgânica.

 

Quantas vezes tem um flebótomo fêmea de picar para poder transmitir a Leishmaniose?
Para transmitir a leishmaniose, um flebótomo fêmea tem que picar um cão infectado e posteriormente tem de picar um cão saudável. Quando o flebótomo fêmea pica um outro cão, inocula as leishmanias no cão saudável, infectando-o.

 

Como posso reconhecer um flebótomo?
Os flebótomos são insectos de pequeno tamanho, com pilosidades e duas asas (2,5 a 3 mm de largura) que, ao contrário dos mosquitos, não emitem um zunido quando voam. A cor varia entre o amarelo claro e o castanho escuro.

 

Qual é o seu habitat?
Os flebótomos dificilmente se vêem durante o dia porque geralmente permanecem ocultos em lugares escuros e húmidos, como fendas e gretas em muros, etc. Embora também se chame mosca da areia ao flebótomo, este não vive nas praias. Muito pelo contrário. Este nome deve-se ao facto da sua cor poder parecer a da areia (amarelo claro). Prefere áreas rurais ou lugares nas cidades com árvores e arbustos, como jardins e parques.

 

Qual é o ciclo de vida do flebótomo?
As larvas eclodem dos ovos uma semana após a postura. As larvas passam por quatro estadios antes que a pupa se forme. As pupas transformam-se em adultos passados cerca de 10 dias. O ciclo completo desde o ovo até à forma adulta dura aproximadamente 2 meses.

 


Quantas vezes uma fêmeas precisa de picar?
Uma fêmea pica normalmente 3-4 vezes antes de morrer. Uma fêmea infectada pode contagiar entre 2 a 3 cães.

 


Em que momento do dia pico o flebótomo?
O período de actividade dos flebótomos começa ao entardecer e continua até ao amanhecer. Os flebótomos da área mediterrânea preferem noites amenas (não menos do que 16ºC) e não podem voar com ventos fortes. Não obstante, podem percorrer distâncias de até 2km.

 

O flebótomo também pode entrar no interior das casas?
Maioritariamente picam no exterior, no entanto, também se vêem frequentemente no interior das habitações. São atraídos pelo odor dos animais e pessoas.

 

O que devo fazer se achar que o meu cão tem Leishmaniose?
Deve levar o seu cão ao Centro de Atendimento Médico-Veterinário o mais cedo possível. Aí o Médico-Veterinário poderá examiná-lo clinicamente e propor-lhe a realização de um ou mais exames complementares de diagnóstico para confirmar a presença ou ausência da doença.

 

Qual é o período de incubação da doença?
O período de incubação é muito variável, podendo ser de poucos meses ou anos. O valor médio poderá aproximar-se dos 3 a 18 meses.
Alguns cães são resistentes e, embora possam sofrer picadas de flebótomos infectados, nunca mostrarão sinais de doença, desde que se mantenham correctamente alimentados e não sejam submetidos a situações de stress variado. Pensa-se que esta resistência poderá ser determinada geneticamente.

 

Que métodos de diagnóstico existem?
Basicamente, utilizam-se técnicas que nos permitam detectar o parasita (parasitológicas) ou a presença de uma resposta imunológica do cão àquele. Quando se suspeita que um cão está a desenvolver leismaniose podem utilizar-se várias técnicas simultaneamente a fim de assegurar o diagnóstico.
Em zonas endémicas de leishmaniose canina, os donos devem submeter rotineiramente os seus cães a exames para determinar se estão ou não infectados de forma a se conseguir um diagnóstico precoce. Uma boa altura para o fazer é durante a consulta anual de revacinação.

 

O tratamento pode curar o meu cão?
Não. O tratamento não permite uma cura completa. Geralmente consegue-se a remissão dos sinais clínicos, no entanto, o animal pode ficar portador do parasita, podendo vir a ter recaídas passados meses ou anos. O tratamento será tanto mais fácil e de menor duração quanto mais cedo for diagnosticada a doença e iniciada a terapêutica. Consequentemente, o diagnóstico precoce é de extrema importância.

 

Qual é a possibilidade de ocorrer uma recaída?
É muito variável e difícil de quantificar. Dependerá do estilo de vida do seu cão, de possíveis reinfecções, da assistência médico-veterinária que lhe consiga disponibilizar, etc.

 

Que devo fazer se os sinais voltarem a aparecer?
Contacte imediatamente o médico-veterinário do seu cão para que este possa reiniciar o tratamento.

 

Posso vacinar o meu cão contra a Leishmaniose?
Não. Infelizmente não estão disponíveis vacinas para cães que protejam contra a Leishmaniose.

 


Para quando poderemos esperar uma vacina comercial?
Existem vários grupos de investigadores a trabalharem no desenvolvimento de uma vacina. Até hoje não se conseguiu desenvolver uma vacina suficientemente eficaz. Os investigadores crêem que ainda teremos de esperar alguns anos até que exista uma vacina comercial na Europa.

 


Existem outros produtos que possam proteger o meu cão?
Enquanto não se desenvolve uma vacina, a única forma de prevenir a doença é através da prevenção da picada do insecto transmissor da Leishmaniose. Há produtos em pipetas disponíveis que garantem uma certa protecção contra a picada do flebótomo. A melhor opção é a utilização de coleiras impregnadas de deltametrina, tal como é recomendado pela Organização Mundial de Saúde. A Scalibor® Protector Band é a única coleira impregnada de deltametrina actualmente disponível. A Scalibor® Protector Band demonstrou conseguir prevenir 95% das picadas dos flebótomos transmissores da Leishmaniose Canina durante mais de 6 meses.

 

Como é que este produtos protegem o meu cão?
O modo de acção deste tipo de produtos baseia-se principalmente no efeito repelente do flebótomo, evitando que este pique o cão. Um flebótomo que não pica não transmite a Leishmaniose.

 


Que provas existem que demonstram que estes produtos têm uma boa eficácia?
Dos produtos disponíveis no mercado, somente se dispõem de boas evidências da Scalibor® Protector Band. Têm sido publicados vários artigos científicos referentes a estudos realizados em países como a França, Espanha, Itália, Irão e Brazil, nos quais foram avaliados milhares de cães e que demonstram que, actualmente, a Scalibor® Protector Band é o melhor produto disponível para evitar a picada do flebótomo transmissor da Leishmaniose Canina.

 

Consigo proteger o meu cão de 100% das picadas do flebótomo?
Nenhum produto pode oferecer uma protecção de 100%. O melhor que se conseguiu atingir foi uma protecção contra 95% das picadas dos flebótomos transmissores da Leishmaniose Canina durante mais de 6 meses, com a Scalibor® Protector Band.



O que é que os cientistas opinam sobre os produtos disponíveis comercialmente?
Vários cientistas têm reconhecido a eficácia das coleiras impregnadas de deltametrina. Prova disso é o facto da Organização Mundial de Saúde ter recomendado, num relatório sobre doenças transmitidas por vectores, que os “donos devem ser encorajados a colocarem nos seus cães” este tipo de coleiras.
Uma revisão, publicada recentemente, dos vários artigos científicos publicados nos últimos anos também refere que existem boas evidências para a recomendação da utilização em cães das coleiras impregnadas de deltamtrina.

 

Que mais posso fazer para prevenir a picada do flebótomo?
Mantenha o seu cão dentro de casa desde o entardecer até ao amanhecer, entre Março e Novembro.

 

Posso contrair a doença se for picado por um flebótomo infectado?
É praticamente impossível que uma pessoa saudável venha a desenvolver sinais de Leishmaniose. No Homem, a resposta imunitária contra a leishmania é muito mais eficaz do que no cão, sendo capaz de impedir a expressão da doença na grande maioria dos casos. Numa zona endémica, uma elevada percentagem de pessoas já contactou com o parasita alguma vez, mas, no entanto, o número de casos clínicos é quase nulo. Mesmo que haja desenvolvimento de sintomas, o tratamento, numa pessoa sem qualquer outro comprometimento, tem uma elevada taxa de sucesso.